Projeto de Vida

Eu e o outro

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Introdução

Você já se imaginou em uma ilha deserta, tendo que responder quem você levaria junto? Seu melhor amigo, um familiar, um completo estranho a ser descoberto ou preferiria ficar sozinho? Se nunca pensou nisso, o momento é agora. Entender isto, mostra como você lida com o outro e este será o nosso primeiro exercício. Vamos lá!

curva encerrando a sessão

Essa reflexão é uma maneira de entender que, além de nos conhecermos e aprendermos a apreciar e aprimorar quem somos, nossa existência pressupõe a convivência com outros. Não existe isolamento, mesmo que por vezes possamos fingir estarmos sozinhos em uma ilha deserta.

Lao Tse, filósofo da Antiga China, por volta do século VI a.C., norteou os princípios taoístas dizendo que “não podemos exigir que os outros sejam como queremos, pois nem nós o somos”. Esse adágio nos traz uma importante reflexão sobre o princípio de lidar com o outro, em especial ao tratarmos das microrrelações interpessoais, ou seja, aquelas que ocorrem com maior proximidade e continuidade.


Você sabia?


O taoismo é uma tradição filosófica e religiosa, originada no Leste Asiático, que acredita que Tao, um conjunto de divindades, seja o criador de todas as coisas existentes, com o qual se deve manter a harmonia.

“Tao” significa “o caminho” e representa a condição para se atingir um fim.


Para além das microrrelações interpessoais, compreendemos que vivemos em um macroambiente de relações sociais, onde cotidianamente pessoas que pouco ou nada conhecemos intervêm em nossas rotinas. Cruzamos com uma infinidade de indivíduos com os quais temos instantes de interação e convivemos com outros com os quais interagimos por mais tempo.

A questão a ser trabalhada é a nossa capacidade de estabelecer relacionamentos saudáveis. Entendemos por relacionamentos saudáveis aqueles nos quais somos capazes de compreender as individualidades envolvidas, permitir uma conexão efetiva e afetiva, buscar meios para sanar as necessidades de cada um e promover um ambiente de desenvolvimento.

Já falamos em mundo BANI, lembra?

O que reforçamos há pouco é, pois, o exercício das competências mais exigidas no mundo BANI. A vivência nesse novo contexto exige compreensão, empatia, flexibilidade, colaboração, uma mentalidade construtiva e de aprendizagem. Adicionalmente, a prática dessas competências é requisito para a construção de relacionamentos que possam oferecer crescimento mútuo.

Clique nas setas para entender melhor.

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Para reforçar

Ética:

  1. Parte da filosofia responsável pela investigação dos princípios que motivam, distorcem, disciplinam ou orientam o comportamento humano, refletindo esp. a respeito da essência das normas, valores, prescrições e exortações presentes em qualquer realidade social.
  1. Conjunto de regras e preceitos de ordem valorativa e moral de um indivíduo, de um grupo social ou de uma sociedade.
    “é. Profissional”
    (Houaiss On-line)

Moral:

No campo da filosofia, a moral é entendida como o “conjunto de valores, como a honestidade, a bondade, a virtude etc., considerados universalmente como norteadores das relações sociais e da conduta dos homens”.
(Houaiss On-line)

Devo sempre pensar que nem tudo que eu quero eu posso e nem tudo que eu posso eu devo.

Daniel Goleman (2006) explica que a inteligência social é um talento que não está baseado apenas em nossa inteligência cognitiva, ou seja, na nossa capacidade de assimilar, processar e aproveitar uma informação externa, mas que depende também do nosso conhecimento das regras sociais.

Afirma, ainda, que nossa inteligência social está organizada em duas etapas:

a) consciência social: o que sentimos em relação aos outros;
b) facilidade social: o que fazemos de posse dessa consciência.

Por isso, o autoconhecimento é essencial para o desenvolvimento de nossas competências interpessoais. Vamos explicar: ao lidarmos com o outro, a primeira reação do nosso cerebro é sentir algo a respeito, e essa “primeira impressão” pode estar permeada de aspectos subjetivos ou mesmo de bloqueios emocionais que podem impedir que tenhamos uma consciência social mais apurada, impedindo-nos de agir de forma a facilitar o contato social.

Para trabalharmos nossa inteligência social, partiremos do entendimento de suas bases, observando que a consciência social depende de quatro fatores. Clique nas abas para conhecê-los.


A partir desse conjunto, formulamos o nível da nossa facilidade social, que envolve:


“A gentileza verdadeira é a vontade de fazer algo bom e colocar essa vontade em prática.”
(EINHORN, 2007, p. 71)

Esse conjunto de conhecimentos e habilidades requer atitudes condizentes com o interesse em estabelecer suas competências interpessoais. De nada adiantaria sabermos todos esses conceitos e desenvolvermos todas as condições de exercitá-los sem associar isso à nossa vontade de atuar. Vamos lembrar que competência é justamente a conjunção desses fatores e que ela só ocorre quando sabemos, sabemos fazer e queremos fazer. Por isso, o seu comportamento é fator fundamental no estabelecimento de relacionamentos saudáveis.

Nesse ponto, é interessante se apropriar de conhecimentos sobre a nossa função cerebral da percepção. A percepção é o que atribui significado a estímulos sensoriais e está atrelada ao nosso histórico de vivências passadas. É por meio da percepção que organizamos, interpretamos e atribuímos significado às impressões sensoriais que nos atingem. Nossas impressões sensoriais chegam a nós por meio dos cinco sentidos: visão, audição, olfato, paladar e tato.

Para além das nossas impressões sensoriais, chamadas pela psicologia analítica de “sensações”, outros três aspectos orientam a nossa consciência: o pensamento, o sentimento e a intuição (JUNG, 2002). Esses aspectos podem também influir em nossa percepção, que precisa ser treinada para uma visão acurada da situação interpessoal. Esse treinamento deve envolver a autopercepção, a autoconscientização e a autoaceitação como pré-requisitos de possibilidades de percepção mais realística dos outros e da situação interpessoal.

O treinamento perceptivo parte do autoconhecimento, da sua capacidade de entender seus pensamentos e sentimentos, construídos a partir das sensações ou da intuição que ocorrem quando lidamos com “condições para as quais não haverá valores preestabelecidos ou conceitos já firmados” (JUNG, 1985, p. 10).

Treinamos nossa percepção também por meio de feedbacks, solicitando aos que convivem conosco informações sobre como nosso comportamento, ou seja, nossas ações e reações, é percebido por quem é atingido por ele. A partir dessa retroalimentação, podemos estabelecer como percebemos e evitamos desvios do tipo seletivo, que ocorrem quando escolhemos “ver” aquilo que mais se aproxima da nossa realidade, ou do tipo estereotipado, que ocorrem quando “vemos com olhos” já preconcebidos.

A partir do ajuste da nossa percepção, iniciamos o processo de ajustar nossa consciência e, consequentemente, dar melhores respostas à nossa facilidade social, agindo, assim, com mais inteligência.

Dica de leitura

Neste e-book, leia o capítulo Eu e o outro, referente a esta unidade, vamos apresentar as competências interpessoais e as possibilidades de autodesenvolvimento no campo intra e interpessoal.

Para ler este livro, busque o link nas leituras da disciplina.

Atividade de reflexão

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Ao pensar na sua matriz de trabalho pessoal, entenda o seguinte:

Lembre-se de que, no exercício a seguir, você deverá analisar os quatro pontos tendo como base sua competência interpessoal para o estabelecimento de relações saudáveis. Você poderá escolher uma pessoa ou situação específica ou pensar genericamente em sua forma de se comunicar e lidar com as pessoas. Essa análise contribuirá para entender o quanto as suas características podem garantir oportunidades ou ameaçar seus desejos.

Futuramente, você pode usar essa ferramenta para novos projetos que pretenda alcançar. Se necessário, faça mais de um gráfico, dividindo-o para cada sucesso esperado. Analise criteriosamente e, se preciso, peça ajuda às pessoas que são sinceras com você. O resultado poderá ajudá-lo a melhorar aspectos pessoais e profissionais, facilitando sua trajetória.

Momento de reflexão

Muitas vezes, estando bem ou não consigo mesmo, a presença do outro pode ser um presente muito bom ou um grande incômodo. Saber lidar com isso é fundamental para a sua felicidade e, consequentemente, para o seu sucesso. Acompanhe nosso personagem em sua travessia e veja como ele passa por este trecho da piscina.

Encerramento

Lidar com o outro é, sem sombra de dúvida, uma tarefa que exige preparo baseado em autoconhecimento e inteligência social. Volte sempre ao módulo anterior e mantenha seus exercícios de autoconhecimento e autocuidado. Para aprimorar sua inteligência emocional, dedique-se, neste módulo, a trabalhar uma comunicação eficaz e as suas competências interpessoais.

Vamos aprender.

Dedicação e sucesso para você!